quarta-feira, 16 de julho de 2008

a porca-ria!


que merda de poeta me tornei, estou em um quarto sujo, ainda não sei onde. vejo algumas luzes da janela, pago adiantado para o senhor desconfiado. sentada sobre os lençóis, distorço assuntos quase esquecidos, pego aquele pobre despercebido, exibo com orgulho minha solidão, invento problemas, ressuscito fatos esquecidos e os entorpeço. mas quase nunca dizem quase coisa alguma. vomito minha alma nojenta, eufemismos me salvam...
talvez a vodka, talvez o sonho venha, aumentando minha vontade de viver lá fora nessas noites geladas de papel branco. mas é só a vodka, por enquanto só. escuto estrondos no quarto ao lado, a essas horas! nesse fim de lugar! já no começo da noite!
quase prendo a respiração para escutar. a senhorita gritava, e até certo momento acreditei ser de prazer, mas a alguns minutos que já não escuto seus berros, sua boca abafada e sua respiração ofegante que passava pelo vão das paredes e do teto sem forro. a estrada não é muito aconselhável, ao menos para aqueles que vivem com prudência. enfiei-me nas cobertas, e coloquei meus fones de ouvido, minha fita já velha, não berra, sussurra “women is loser “, janis joplin me traria uma boa estória.
o corpo não foi encontrado mas os orgasmos foram múltiplos.




Um comentário:

Kamikaze Kiwi disse...

Ow, poema muito bom, de um jeito assim escuro! O que é legal. Ah, e dizem por aí que é sempre tudo culpa da vodka!!

Quanto as palavras, nossa! É mesmo, tá lá no dicionário, tive um lápis de memória!!

Inté!